Tóxico

March 27, 2011

Eu vivo sempre aqui, te perseguindo com o olhar.

Mas tu parece estar sempre tão platônico, me embriagando desse maldito veneno estonteante, que te faz criminoso.

- Só que eu já nem me importo mais com os crimes que eu possa cometer do teu lado.

Dane-se a culpa de ser cúmplice ou a vontade de ser vítima. Eu não vou dar permissão pra o mundo pensar o que seja de nós dois, porque o seu abraço matinal é tudo o que eu preciso pra prosseguir com as outras intermináveis horas do dia.

- Estranho como teu veneno espalha por minhas veias sem demora.

É claro que achei que podia resistir, mas estava enganada. Por que tu não pára de me enganar tanto assim? E de me querer com tanto desprezo, me fazendo te querer ainda mais?

- Pra que toda essa vontade em mim, de amar por nós dois?

E se você já me disser que se cansou de brincar comigo, então que tome o seu rumo e me ensine a perseguir outros olhos, pois, eu sei que não é isso o que quer. E repensará tuas escolhas, vai ver que do meu lado é melhor do que caminhar sozinho.

Vai querer me embriagar de mais veneno. E eu não vou fugir.

November 26, 2010

Não sei bem sobre O QUE escrever nem COMO escrever porque eu passei por tantas transições inexplicáveis nesses dias em que fiquei afastada do meu papel e caneta que eu não encontro nem a definição ideal pro estado em que me encontro AGORA. É possível amadurecer em pouco mais de um mês?

E eu nem precisei me apaixonar pra mudar, eu acho que sou a prova viva de que amar alguém que possa “me completar” não é tudo na vida. O legal é encontrar as respostas no meio do caminho, esbarrar com elas e não caçá-las como se fossem tudo o que você precisa pra ser feliz.

Porque, na verdade, não tem segredo pra ser feliz – é tudo muito mais simples do que você pensa. E isso me parece tão clichê…

Segurança Máxima.

October 8, 2010

Pra melhor abrigar um sentimento desconhecido dentro de você, primeiro precisa se ter consciência de sua origem. Pessoas causam sentimentos. Encontros causam sentimentos. Vidas destemidas produzem sentimentos. É preciso deixar o medo pra trás para amar, odiar, mergulhar. Em outras vidas – ou em outras épocas.

Como se fosse fácil assim. As pessoas tendem a se camuflar e se proteger da multidão durante o encontro com ela. Falar pouco de sua vida, ás vezes mentir a idade, fazer parecer que tá tudo azul. E sim, ás vezes está, mas dá pra perceber quando a felicidade chega ou já está cego demais que só consegue se enxergar na escuridão? Olha eu aqui, olhe pra mim. Pregando o que eu não vivo, já que sou justamente eu que tenho paixão por me camuflar.

Não foi ninguém que me trouxe até aqui, até porque não poderia responsabilizar alguém por isso. A minha vida fui eu mesma que fiz. Me arrependo, me orgulho, minto, falo a verdade, apaixono, desapaixono. Odeio. Mas me asseguro em nível máximo das escolhas que eu faço, mesma que elas me prejudiquem. Coisas ruins que acontecem comigo não servem pra me machucar, mas pra me caracterizar. Tudo isso me faz ter certeza de que eu tô vivendo enquanto estou VIVA. E só vou descansar quando eu estiver morta.

Um Novo Capítulo…

September 26, 2010

… Acabou de começar. Eu nasci de um furacão, livre pra destruir o que estiver no meu caminho. Eu nasci da confusão dos meus instintos e não tô a fim de negar minhas raízes. Nasci também do fogo, e dele eu me livrei, mas muito dele ainda corre nas minhas veias. E dos espinhos eu nasci, mas me machucaram tanto, que agora eu quero mais. Eu quero a adrenalina que só a dor aguda da vida me permite sentir.

- E de inimagináveis caminhos eu vim…

Conheci pessoas que eu amei, pessoas que me amaram. Ou só pessoas, que nem capazes de despertar indiferença em mim conseguiram. Dos que eu amei, vou sempre carregar a bruta memória de não poder voltar no tempo e reescrever, rabiscar todos os rascunhos. Pros que passaram pelo caminho sem me deixar rastros, só consigo acenar um “adeus”. E a Deus pertencem os próximos parágrafos.

O amanhã fica longe demais pra que eu o planeje. Minhas correntes foram arremessadas no chão, assim como as palavras dos que desaprovavam meu comportamento nômade. E eu nunca vou mudar, e você nunca vai perceber que quando se despede de mim, automaticamente já está me assistindo desaparecer.

Cruze os braços, sente-se. Aproveite o show!

Coisa Nenhuma.

September 21, 2010

Agora eu tenho um novo jeito de encarar a vida.

- Preciso ajoelhar aos seus pés e agradecer por ter me tornado mais esperta?

Talvez isso aconteça no dia em que as flores da sua sepultura possam responder por você, e me deixe estar ciente desse dia, porque eu preciso de algo que realce mais ainda a minha felicidade.

Vou te agradecer porque agora eu tenho mais orgulho de mim mesma e já sei que é necessário me apoiar na ingenuidade dos outros pra conseguir vencer. Aprendi tudo com você.

O limite da minha felicidade não se iguala ao seu. Seus horizontes são todos limitados e cabem na palma da sua mão. Já os meus… Ficaria difícil pra que você os avistasse. Eles estão há anos-luz acima da sua cabeça.

Você acertou quando disse que eu nunca te amei. E receber notícias suas é como saber se tá chovendo ou se faz sol: irrelevante pra mim. Você e porra nenhuma me possuem o mesmo grau de importância.

Eu me orgulho ainda mais por ter enganado seus olhos cegos O QUANTO EU QUERIA. É tão fácil pra mim nos desfazer dos nossos planos, porque eu tenho esse dom – eu chuto como se fosse lixo o que não me presta mais. Eu joguei sujo, mas venci o jogo. E agora assistir de braços cruzados sua vida se tornar um inferno, virou uma questão de sobrevivência.

Memórias Descartáveis.

September 18, 2010

Eu tenho medo de transcrever meus sentimentos, aumentar o rádio, ligar a televisão. Não sei até quando vou olhar pra alguém e lembrar que era aquela a cor da blusa que eu usei no nosso primeiro dia.

Não dá pra acreditar que é possível ser desumano a ponto de não ter nenhuma lembrança de nós. Depois de todas as risadas que demos juntos, todas as vezes que nos olhamos nos olhos e sorrimos só por pensar: eu tô onde eu deveria estar. Eu queria rebobinar e excluir, como arquivos de uma máquina, todos esses momentos em que eu te dei a mão, pra que você não achasse que estava caminhando sozinho. Você consegue me ouvir gritar o seu nome enquanto dorme abraçado com ela ou a voz da sua nova ninfa é a única coisa que você consegue ouvir?

Eu me desloquei por prazer do resto das outras promessas mundanas que tentam me atingir, porque agora, entre uma palavra e outra, sempre vou estar inquieta esperando por um sinal de infidelidade. Confiar nos outros de novo, depois de todo esse circo, vai ser como mover montanhas.

Eu tenho medo de transcrever os meus medos, eles me fazem chegar muito perto da humildade, e o meu orgulho tá ferido. Mas tá guardado… Eu tenho medo que você consiga deitar sua cabeça no travesseiro, sonhando em paz com uma silhueta diferente da minha.

Sabendo que eu sonho com a sua todas as noites.

Mãos Atadas e Sozinhas.

August 14, 2010

Surgiu-se a áspera vontade de abraçar o vão que estava ao meu lado. O lado vazio da poltrona que precisava ser ocupado, mas por quem? Se o perfume mais entorpecente que já cruzou meu olfato, quis caminhar pra longe? E estou tentando alcançar, eu preciso alcançar. Vou conseguir.

Nunca mais
talvez seja a condição mais assustadora e causadora de impotência que já ousaram criar, embora a sujeira das minhas atitudes já me tira o poder, por si próprias. Eu te entendo tão bem – como se a rasteira tivesse sido em meus passos. E é por isso que não posso deixar que a carga dos meus erros nos destrua. Eu não posso deixar que a única forma de me ver feliz mais uma vez, curve a próxima esquina em direção à casa de alguém que nunca entenderá sua silhueta tão bem quanto eu.

Mudaria qualquer coisa em mim, e até me sinto digna de espanto por embrulhar meu orgulho em papel de presente e te entregar, para que o destrua. Como eu fiz com seu coração, nem eu sei por quê… E talvez nunca saiba. Talvez eu me odeie até o fim por isso.

- Por favor, me diga onde fica o fim.

Tô só esperando chegar à beirada e assistir suas mãos me enterrarem precipício abaixo. Mas caminho e não vejo abismo algum. Não vejo mãos algumas, só as minhas. Tão atadas em frente aos seus argumentos, dignos de aplauso – já os meus, dignos de desprezo.

Só desate as minhas mãos, não posso ser privada do único bem que eu ainda tenho. Porque eu sinto que tenho, e se não tiver, consigo de volta, não importa. Já disse por vezes que iria até o fim por nós, e assim será. Tudo o que eu quero é um RECOMEÇO. E estou tentando alcançar, eu preciso alcançar… Vou conseguir.

Por Dentro do Ringue.

July 23, 2010

Me disseram algumas vezes que é necessário conhecer o inimigo e nunca atacar sem que ele o ataque primeiro, legítima defesa. Discordo. Aliás, discordo de tudo o que me foi ensinado, porque aprendizado, o verdadeiro, a gente só consegue quando quebra a cara. Eu sei bem o que isso significa.

Conheço todas, ou pelo menos a maioria, das faces de um punho fechado vindo na minha direção. Eu me preparo, estudo o adversário, calculo a distância. Ataco. Não espero o nocaute porque se a minha investida for melhor do que a do meu inimigo ganharei não só o mérito pela vitória, ele é passageiro, mas o aprendizado. A tática que se usa é tudo.

Não classifico meus adversários como inimigos porque são eles que me fazem atingir o auge. São eles que mantêm minha pele espessa e meus pés firmes na base, por isso nunca os subestimo. Quanto mais forte é o meu oponente, maior e melhor é o gosto da minha vitória.

Não é pela crueldade, sim pela argúcia dos meus punhos, que estão sempre prontos pra nunca recuar, ou pelo ponto de vista da arquibancada, já que está sempre dividida em vaias e gritos de guerra. Mas com ela eu não me preocupo.

Estou diante a meu adversário instigante. Fecho os meus punhos, essa é a única demonstração física pra minha mente fechada às criticas recebidas. Meu corpo em posição para ataque é movido à vontade de vencer, ultrapassar mais uma barreira. Ávida. Olho diretamente nos olhos do meu adversário e nos meus ele não conseguirá ver o que eu realmente sinto. A tática que se usa é tudo.

Penso apenas em como será o semblante da platéia após eu erguer meu prêmio. O objeto de premiação não é meu único objetivo, mas sim o reconhecimento dos críticos covardes à minha competência.

De punhos fechados, inspirada e determinada, estou pronta pro que for preciso vencer. E lá vem mais um round…

______________

- Créditos Parciais à PensamentosFortuitos!

Muitas milhas depois da curva.

July 11, 2010

Cada um dos nossos infinitos detalhes ficou cravejado nesses muros.

Preciso que somente deixe de me fazer sempre querer baixar minhas armaduras. E você não pode dizer sempre tudo o que quero ouvir. Precisa parar de levar minha imunidade à zero.

- Não, eu não quero mais ouvir o quanto seu sentimento é profundo.

Isso me enfraquece. Me faz guerrear contra minhas próprias forças… e não suporto a forma com que meu subconsciente te trata. Sempre cedendo, sempre concordando com cada pequena expressão do seu rosto. Fui condenada à morte de toda a minha razão e me lembro desse veredicto toda vez que me sinto em seus braços. Mas só sinto, aquela curva me separa consideravelmente do meu objetivo.

- Maldito subconsciente.

Ele sempre quer o impacto que tuas palavras causam sobre mim. Ele sim sabe do que eu preciso… preciso de combustível pra vencer a distância e apostar cegamente no que quer que sinta.

Esteja certo de que não há nenhum caminho que eu não percorrerei se eu souber que vou te encontrar depois daquela curva. E vou sempre buscar por você, mesmo que mais curvas venham, mesmo que façam ventar pra que eu não te alcance. Só não duvide, não te dei o direito de desconfiar do meu querer.

- Sim, eu só quero ouvir que vai até o fim por nós.

Diga mais uma vez. Seja o meu suficiente, me fortaleça.

Desequilibre-se!

July 4, 2010

De todos os jeitos de mostrar que nenhum outro ser humano terá controle sobre mim além de mim mesmo, escolhi justamente o descontrole. E é assim que me desequilibro.

Contornei a esquina. No fone, o som da liberdade.

Foi quando meus pés balançaram no ritmo da ousadia e eu só podia deixar com que cada uma das partes do meu corpo seguisse os acordes agitados. Sonhos se tornando realidade. Minha breve e inusitada aventura.

- E daí que me olhavam?

Já me importei algum dia com o que pensam sobre mim? A resposta é não! E se isso te incomoda tanto, tente se juntar à minha falta de lucidez e ver que mais lúcida sou eu que vejo tudo do meu jeito. Esse jeito desarrumado. Descompromissado.

Os acordes da minha música preferida já soavam mais baixos, decretando o final do meu surto. Queria que durasse pra sempre.

Seu refrão dizia que estava cada vez mais perto.

Cada vez mais perto da EVOLUÇÃO. E que esse era só o começo.


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